terça-feira, outubro 2

A tela projectada na vida

Começa a ser recorrente perguntarem-me quando me dedico ao Cinema ou aos Livros. Dizem-me: "Não tens feitio de advogado. Tens pinta de intelectual*" Adepto que sou das citações e afins sai, invariavelmente, "Sou um bocado como o Ethan Edwards no The Searchers: procuro obstinadamente algo que perdi. Precisamente por ter noção dessa dimensão trágica da perda [de algo que só em sonhos tive, note-se] fico com o ar distante do Jef Costello: alheado de tudo, com ar sombrio e vago. Sou, de certo modo, como o conformista do Moravia. (trocista) Acaso não serei como as personagens dele? (fixando, com ar grave, o interlocutor) Apenas anseio a normalidade. Viver a vidinha sem sobressaltos e sem causar arrepios de maior aos que se cruzam comigo. Para isso sigo uma lógica Samouraï. Apesar disso, tento ter a inocência do Doinel, mas isso já não consigo. Sabes, leva-se muita bofetada neste mundo. [por isso é que se gosta muito da ironia de João de Deus por estas bandas]"

*certamente só me dizem isto porque uso óculos. É público e notório que não gosto do epíteto.

3 Comments:

Blogger Filipa D. said...

A ironia de João de Deus e a ironia de Hugo Alves fazem um bom par.

1:41 da manhã  
Blogger Hugo said...

Hugo Alves ao lado de João de Deus não é nada. :-)

10:26 da tarde  
Anonymous M. Da Silva said...

O Hugo, é já um personagem singular e incontornável...
Portentoso.

Sou seu fã!

(Só gostava de deixar um agradecimento à minha querida amiga, por me ter dado o endereço do seu blog, antes de partir ... Obrigado miúda! Hasta lá vista !)

11:35 da tarde  

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