sexta-feira, outubro 13

Filme da treta


Teatro, televisão, rádio e, agora, cinema. Toni e Zezé vê-se, assim, transpostos para o grande écran. Ora, tendo em conta que realizador e produtor - Leonel Vieira, aquele que estragou a oportunidade de fazer um grande filme em A Selva - afirmam que esta obra procura atrair novos públicos para o cinema portugues, causa perplexidade o facto de António Feio (Toni) afirmar que acabaram por optar por uma linguagem não muito cinematográfica (sic). Sendo assim, há mesmo que pedir à equipa que afine a orquestra perante incongruências destas e, sobretudo, há mesmo que perguntar se o mero intuito lucrativo justifica isto. Será que o Cinema português precisava do Filme da treta?
Sendo assim, este é o Filme da treta ou uma treta de filme?

20 Comments:

Blogger Ricardo Martins said...

No comments.

7:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Isto faz-me pensar a um género do cinema francês, que também se baseia nos cómicos que têm fama na tv (em séries, ou talk shows) e que depois passam a fazer um filme que (claro) atrai muito público nas salas... não para ver cinema, mas para ver televisão num ecrã gigante...

8:30 da tarde  
Blogger wasted blues said...

Também não deixa de ser curioso o facto da produtora do alegado produto cinematográfico ter dispensado a realização dos habituais visionamentos para a imprensa... até aí recusa que é cinema?

10:58 da tarde  
Blogger Tiago Tejo said...

Ainda não tive oportunidade de ver o filme em questão. No entanto posso dizer já que não estou à espera de algo que me soe a um expirar do cinema português.

Quanto à questão que lanças, à qual a resposta não implica ter visto o filme, tentarei expressar a minha opinião. O cinema português precisa de imensos filmes destes, por piores que possam ser. Claro que também precisará dos bons, obviamente. O cinema português precisa de hábito, nós não o temos. Precisa de massa, para de entre dezenas ou centenas podermos tomar nem que apenas um como bom.

2:00 da manhã  
Blogger Ne-To said...

Precissará o cinema português de um Leonel Vieira??? ui havia tanto a dizer.

cumps

8:08 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Nuno: exacto. Eu acrescento: prática evitável

Wasted: um belo indício de que não é cinema.

Ne-to: bela pergunta...acho que Leonel Vieira faz parte da lista de dispensáveis...

1:04 da manhã  
Blogger gonn1000 said...

Ainda não o vi, mas não me parece o tipo de filme de que vá gostar muito, assim como não o são outros que se situam no extremo oposto ("98 Octanas"). Acho que "Alice" ou "Coisa Ruim", por exemplo, conseguem ser apelativos e acessíveis q.b. para grande parte do público apresentando simultaneamente méritos cinematográficos.

1:36 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Coisa Ruim???

1:47 da tarde  
Blogger gonn1000 said...

Sim, "Coisa Ruim". Estreou no primeiro trimestre deste ano.

2:42 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Eu sei, eu sei. Mas é que o bom do filme é mesmo ruinzito...acho eu. Daí os pontos de interrogação em triplicado. Mas obrigado pela explicação, de qualquer modo.
Uma dúvida que não tem nada a ver: Gonn1000 já alguma vez foste ver algum Ciclo da Cinemateca? É que para além de ser a melhor sala de Lisboa, lá aprende-se muito sobre o que é o Cinema. (O cinema não se resume às estreias recentes :-) )

2:49 da tarde  
Blogger joseo said...

Apenas para a questão "coisa ruim": o que me chateia bastante - além do facto do filme pura e simplesmente existir - são os tipos que o fazem evocar, terem na boca nomes sacrossantos: o Kubrick de Shinning; Peckimpah de Straw Dogs; ou mesmo Shyamalan...erezia.

Por favor, ao menos sejam humildes...por mim podem fazer essas coisas desde que não me chateiem, mas...

Quanto ao extremos e aos centros, bom escolho sempre um extremo, no caso do cinema português têm mesmo que ser assim: o meu é onde está situado o Pedro Costa e a Teresa e o Lopes, e o Oliveira...e há uns tempos o grande João César...etc, coisas humildes...pois claro

mas terror e acção, nada contra, sou fanático, desde que a coisa seja bem feita...

José Oliveira

Cumprimentos

4:17 da tarde  
Blogger gonn1000 said...

Sim, vi lá o "Johnny Guitar", mas geralmente prefiro dar prioridade às novidades, e mesmo assim não consigo ver tudo o que gostaria. E nunca disse que o cinema se resumia às estreias recentes.
E José Oliveira, acho heresia maior tentar fazer de "98 Octanas" um Godard ou um Antonioni à portuguesa.

5:04 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Se formos por heresias, todos teremos as nossas. De qualquer modo: Coisa Ruim foi (mais) uma tentativa falhada do Cinema Português. Quanto ao 98 octanas eu achei-o sensaborão. Mas que se vê que os Fernando Lopes domina o Cinema (refiro-me às influências mais do que óbvias), lá isso vê.

Gonn1000, - e desculpa o aparente paternalismo - aconselho-te o Ciclo que a Gulbenkian está a organizar. Talvez assim acabes por ver que o que se faz hoje tem uma influência oculta pelo passado. É que ninguém inventou a roda e mais valem uns bons clássicos do que muito do lixo que por aí anda. A questão não se resume a preferir novidades ou filmes antigos, mas, pelo contrário, filmes bons ou maus.

E ver o Johnny Guitar não é nada de mais. É um clássico unanimemente conhecido. Talvez seja a hora de tentares conhecer um Visconti ou um Melville, dois autores que estão, explícita ou implicitamente, em obras como Volver e Miami Vice, respectivamente.

O exemplo de que a história ajuda: não será esta vaga do Cinema indepente americano hodierno um fenómeno similar ao dos mavericks de 1970? Eterno retorno. Sempre o eterno retorno...

Over and out (no que a este post e a esta questão diz respeito)

5:16 da tarde  
Blogger joseo said...

Godard ou Antonioni??

...é você que o diz, ou eu...não importa.
O Fernado Lopes sempre referiu coisas mais modestas, a série B americana acima de tudo...coisas simples, coisas importantes...

"não é filosõfico, nem metafisico, é um filme de acção"

Cump.

6:57 da tarde  
Blogger Tiago Tejo said...

Não metam Coisa Ruim no mesmo saco do Alice. Aliás, o filme é, para mim, exactamente aquilo que o nome transmite: uma coisa ruim.

Enquanto isto, o filme de Marco Martins é uma obra linda, uma pérola do cinema português.

2:22 da tarde  
Blogger Daniel Pereira said...

Mesmo falhado, parece-me que o "Coisa Ruim" bate o "98 Octanas" aos pontos. Falo dos filmes, não dos realizadores.

E, bom, Godard no início foi buscar muita coisa à série B americana...ou não?

12:35 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Lido no site do ICAM:

"Filme da Treta2, realizado por José Sacramento, fez, entre os dias 12 e 16 de Outubro, 54.853 espectadores.

Este filme, protagonizado por Ant�nio Feio e José Pedro Gomes, estreou na passada quinta-feira em 31 salas."

...

1:29 da tarde  
Blogger Mafalda Azevedo said...

Vamos com calma… Gostei muito do Coisa Ruim e não tenho qualquer tipo de prurido em admiti-lo. Aliás, defendo o Tiago Guedes com unhas e dentes, assim como homenageio a Manuela Couto – uma das grandes actrizes portuguesas (e, infelizmente, não temos assim tantas).


Gonn 1000: Também acho que seria bom se fosses ao dito ciclo da Gulbenkian. Pode ser que reconsideres a tua opinião sobre a obra de Bergman.

2:30 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Mafalda: em bom rigor, era mesmo aconselhável passar, também, pelo 39 da Barata Salgueiro. Seria uma espécie de dois em um. Afinal, não conhecer Visconti - para alguém que se diz cinéfilo - é um pecado mortal. O mesmo aplica-se à apreciação do Saraband. Mas, se calhar, sou eu que sou mesmo mau feitio... :-)

10:19 da manhã  
Blogger 奇堡比 said...

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