quinta-feira, julho 5

Comunhão com a Natureza

Em Lady Chatterley, da francesa Pascale Ferran, é-nos oferecido um belíssimo quadro impressionista. Tudo se passa - no que ao motor do enredo diz respeito - em plena Natureza. Uma cabana perdida numa floresta é o cenário escolhido para os amantes se conhecerem, encontrarem e perderem, tendo sempre como testemunha fiel e cúmplice a Natureza. O que nos leva para um filme de sensações e impressões. Muitas. Mais do que o erotismo puro e duro, Ferran opta por um filme intimista, onde o estado de espírito pesa mais do que o impacto visual da nudez dos corpos. Fazendo-o, faz-nos reviver alguns quadros impressionistas. De Renoir, pai e filho. Se dúvidas houvesse que a Natureza impera, basta atentar nos inúmeros (e belíssimos) inserts da fauna local. A mesma que decorará o corpo de Lady Chaterley num momento sublime. São filmes destes que fazem falta: densos e simultaneamente simples, provando que, num filme (e eis uma tirada redutora), uma boa história, realização competente e actores à altura bastam para obter um grande resultado.
E algo que também não é despiciendo: é bom ver que o Cinema, a espaços, ainda vai sabendo tratar condignamente a Literatura.