domingo, fevereiro 12

Lost in Translation

Bill Murray e Scarlett Johansson em Lost in translation


Eis um dos poucos filmes recentes que admiro verdadeiramente. Nunca será demais dizê-lo, tal como nunca será exagerado afirmar que Sofia Copolla é das mais interessantes cineastas da actualidade. Filha de peixe sabe nadar, mas, acima de tudo, Sofia Copolla tem provado que nada deve ao seu pai, o magistral Francis Ford Copolla.
Bob Harris (sublime Bill Murray) é um actor célebre, que está em Tóquio para gravar anúncios publicitários e Charlotte (personalizada Scarlett Johansson) está em Tóquio a reboque do seu marido, um fotógrafo workaholic. Ambos sofrem de insónias e, por mero acaso, conhecem-se num Hotel em Tóquio, criando um forte laço entre ambos.
Conforme diz Mafalda Azevedo, redigir um texto sobre Lost in translation é escrever sobre a vida de todos nós. Nada mais correcto. Na verdade, todas as misérias e esplendores da vida moderna estão plasmadas neste filme: a solidão, a dificuldade no relacionamento, os difíceis amores. Em resumo, alguns dos dramas pós-modernos (em sentido não lyotardiano, como sempre).
O filme passa-se em Tóquio, que mais não será do que uma metáfora da vida moderna. Da mesma forma que ambos os americanos perdidos no Oriente se sentem incapazes de comunicar com aqueles que os rodeiam, essa dificuldade pode ser alargada para a vida em sociedade: quem poderá afirmar que nunca se sentiu insatisfeito com a sua profissão? Quem nunca teve problemas de identidade? Quem nunca esteve só? Quem nunca sentiu dificuldades em comunicar com outros? Resumindo, no filme domina a ideia de alienação. Uma alineação que é materializada na impossibilidade de comunicação com os nipónicos, mas que é a projecção do "eu" de Bob e Charlotte.
De certa forma, Sofia Copolla, retoma temáticas tão caras a outros realizadores (Antonioni parece pairar de forma quase omnipresente), conferindo-lhes um cenário mais actual. Lembre-se o deambular típico das personagens de Antonioni e compare-se com as deambulações de Bob e Charlotte por Tóquio, nomeadamente o inesquecível Karaoke.
Estas deambulações, para além de demonstrarem uma forte necessidade de procurar escapatórias à realidade, têm também o condão de mostrar que as grandes amizades (...mas será apenas amizade?) nascem nos momentos mais inesperados e nos lugares mais inóspitos. Eis o tom positivo do filme que contrabalança com a viagem pela negatividade da vida moderna. Aliás, essa amizade poderá ser vista, de certa forma, como um combate à alienação. De facto, ante um total "desligar" da vida social, quer Charlotte quer Bob sentem necessidade de se ligarem a algo, necessidade essa que será "satisfeita" plenamente na relação que ambos criam.
Neste tom verdadeiramente agridoce, durante cerca de 100 minutos, vivemos e compartilhamos os dramas existenciais de Bob e de Charlotte, tendo a oportunidade de podermos reflectir sobre nós próprios. Acima de tudo, estamos perante um filme avesso às etiquetas. Mas uma coisa é indiscutível, creio: trata-se de uma obra de génio e sensibilidade. Mais: uma obra em que Sofia Copolla não deixou de colher a lição de alguns mestres europeus.
Concluo relembrando o inusitado (e original, no mínimo) final, que confere um tom verdadeiramente aberto ao filme: um reencontro que é simultaneamente uma despedida (será mesmo?...), em que, após um beijo, ambos os personagens se despedem com um grande sorriso...
O mesmo sorriso com que eu fiquei depois de rever, uma vez mais, este grande filme.

40 Comments:

Blogger liquid rainbow said...

very good film

1:31 da manhã  
Blogger Ricardo Martins said...

Acho que este filme foi algo ligeiramente sobrevalorizado, principalmente entre a malta mais jovem, como obra-prima.

Mas o filme não mostra assim tanta coisa de novo que um Antonioni (como tu falaste e bem), ou até um Hitchcock (ver Vertigo), ou um Nicholas Ray (ver o suberbo They Live by Night) não tenham já mostrado.

Aqui é mais uma "modernização" num mundo que insiste em ser triste e uniforme, e num contexto diferente.

Mas devo confessar que o momento final me comoveu e peras.

11:28 da manhã  
Blogger Hugo Alves said...

Caro e mui prezado Ricardo: precisamente. Essa "modernização" é uma das provas que Sofia Copolla, para além de saber fazer filmes, conhece a obra dos grandes realizadores.

Outro filme ao nível dos predecessores e ponho Sofia Copolla no Olimpo cinéfilo da actualidade (se é que já lá não está...)

11:36 da manhã  
Blogger Daniel Pereira said...

Para conseguir "modernizar" as referências citadas é preciso um talento enorme, coisa que vejo, sem dúvida, em "Lost in Translation" (ainda ninguém falou no óbvio "Casablanca"?). E, já agora, em "The Virgin Suicides" que considero um filme fabuloso, uns ligeiros furos abaixo deste. E, contrariamente ao Ricardo, afirmo, sem pejo, que ambos os filmes da Sofia Coppola são obras-primas. "Lost in Translation" poderá ser o filme desta década.

12:30 da tarde  
Blogger Tiago Barra said...

O nivel de realização de Sofia Copolla não é a de Francis Ford Copolla ("qualquer semelhança será pura coincidência...")

Qualquer tentativa de comparação será infeliz...

O amor é um lugar estranho(nem na tradução acertaram) é uma peça de entretenimento simpática qb, mas não mais do que isso.

Não haverá algum exagero no uso de "obra de génio" e afins ?

Citar expressões cinéfilas da contracapa "Sublime Bill Muray" pertencentes a diretores do jornal de música (Blitz) não será arrojado?

Bill Muray nunca foi "sublime" faceta intlectual é coisa que não se lhe conhece.

A sua representação em "Lost In Translation" (a fazer lembrar Rogério Samora em "O Fatalista")não consegue fazer esquecer a sua faceta "Ghostbuster".

A tentativa (desastrada)de repetir a dose do personagem "Bob Harris" em «Broken Flowers» levou aos resultados que são conhecidos...

Convém alargar horizontes e não se quedar apenas pelo óbvio.."história de um encontro em Tokyo"(é um mero pretexto) - O essencial da mensagem que o argumento produz - A NECESSIDADE DE TOLERÂNCIA ENTRE DIFERENTES CULTURAS COMO FORMA DE CONVIVÊNCIA não foi abordado...

Grato pela atenção
TB

P.S.1. O bloguer que elabora uma análise cinéfila não pode "fazer ouvidos de mercador" à banda sonora...(sobretudo quando se trata de um grupo conceituado no reverso musical - Roxy Music "More Than This" em que Bill Muray interpreta Bryan Ferry.

P.S.2. O crítico de serviço não curou de abordar a temática(-mistério)do final do filme...

Que terá dito Bob no ouvido de Charlotte ?

Simples: Ter-lhe-à dito onde vivia ou qualquer outra informação (N.º Telefone?) de modo a permitir que ambos se continuassem a encontrar...(só assim se entende o beijo final depois de tantas oportunidades "desperdiçadas" no Hotel).


P.S.3. Se "Um dos poucos filmes recentes que admira verdadeiramente" é "Lost In translation" devo sugerir-lhe duas alternativas (de peso) sob a égide de um quarteto amoroso semelhante a "Lost In Translation"... com uma qualidade de realização MUITO SUPERIOR - "Closer"(2004) e "On Connaít la chanson" de Alain Resnais...

P.S.4. Para se abordar determinados temas cinéfilos convém ver bastantes filmes do mesmo género/tempo.

10:15 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Tiago Barra,
i) Tóquio, conforme referi, é uma mera metáfora da solidão moderna. Caso o mui ilustre conheça suficientemente a filmografia de Antonioni, perceberá as inúmeras referências/citações a este grande realizador (para além dos que foram referidos pelo Ricardo Martins e pelo Daniel Pereira. Salvé!)

ii)Bill Murray é deveras sublime e faz esquecer a faceta Ghostbuster. Comparar esta obra belíssima através da reminiscência a um filme péssimo é o mesmo que estar afalar de Proust e responderem com Margarida Rebelo Pinto ou afins.

iii) Eu referi um final aberto e isso, obviamente, inclui o segredo dito ao ouvido de Charlotte. Ser um filme aberto é precisamente isto: procurar interpretar/adivinhar o que ficou por contar.

iv) A Tóquio de Lost in translation é americanizada, o que aponta, ao de leve, para a globalização (ter-se-á esquecido desta parte?).

v) Reitero: Tóquio é uma metáfora da vida moderna. Estar "Lost in translation" é ter dificuldades de comunicação. Convém não levar muito à letra os títulos...

vi) não esqueci a banda sonora, nem Bill Murray interpreta o Brian Ferry. Que eu me lembre apenas o vi interpretar a personagem de Bob Harris. Quando muito, canta/interpreta uma música dos Roxy Music. (convém ser preciso nas expressões utilizadas)

vii) Já que fala em música, a referência a "God save the Queen" (no Karaoke) é o reflexo da deambulação que os personagens têm...

ix) a avaliar pela necessidade que tem em escalpelizar tudo o que escrevo (o que penhoradamente agradeço), parece-me que começa a ter o raciocínio algo toldado.

x) pelo que, como já disse antes, construa o seu edifício crítico de forma sistemática e racionalmente fundamentada. Acima de tudo, não adopte o estilo do franco-atirador. Não lhe fica bem.

xi) Sugiro-lhe que veja cinema alemão. Certamente reparará que a racionalidade do cinema de Sofia Copolla não virá do nada.

Saudações cinéfilas,

11:32 da tarde  
Blogger Ricardo Martins said...

Ainda em relação ao exagerado e brutalizante ataque do Tiago Barra, um ponto que me deixa particularmente apreensivo, é o PS 4, em que ele diz que, para se analisar certos temas tem que se ver bastantes filmes do mesmo género/tempo.

Ou seja, o que ele aprova, é cinefilia desenfreada, muito à semelhança dos críticos de cinema, que tudo têm que ver (mas que não se deve esquecer, eles são pagos para isso)

Nunca, mas mesmo nunca, me poderão obrigar a ver filmes que não tenho tempo para ver.

Ah, e caro Tiago Barra, se pensa que para perceber cinema é necessário ver muitos filmes, devo afirmar que já falei com muitos comerciantes e "peixeiras" com melhor gosto cinéfilo do que muitas pessoas da área.

Para acabar, deixo exemplo de um genial realizador da actualidade, e que não é cinéfilo: Abbas Kiarostami.

10:44 da manhã  
Blogger Daniel Pereira said...

O Hugo não tem necessidade nenhuma que eu o defenda, os seus textos falam por si, mas as intervenções do Tiago Barra merecem-me alguns comentários.

1-De facto, não é muito agradável sentir o tom atacante com que escreve os seus comentários (ao que parece tanto eu como o Hugo como o Ricardo o sentimos).

2-Esse facto é tanto mais desagradável quanto se retira, também, dos seus textos, alguns aspectos interessantes e sente-se que tem conhecimento cinematográfico para vir comentar num verdadeiro espírito de discussão saudável e não tentar superiorizar-se aos demais leitores/escribas. Apelo-lhe para uma mudança de atitude.

3-Não creio que os textos do Hugo se possam entender exactamente como críticas. Nesse sentido, não há qualquer problema se não se falar na banda sonora.

Ainda em relação ao filme alguns comentários:

1-Vi este filme várias vezes e, há pouco tempo, vi "O Fatalista" e não consigo perceber semelhanças entre os dois actores referidos.

2-Se aquela cena final não tem diálogos por alguma coisa é. Na minha opinião, vir tentar "desvendar" tal cena é não perceber a sua qualidade enquanto puro momento de cinema.

Cumprimentos a todos.

1:12 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Daniel, Ricardo:

ainda vos vou contratar como meus advogados...! Salvé, companheiros!

3:12 da tarde  
Blogger Paulo Anjo said...

Ilustres cinéfilos,

Não obstante reconhecer que a crítica do Ilustre Tiago Barra tenha sido muito arrojada, venho apenas referir que a mesma talvez se deva ao facto de "O" mesmo Hugo Alves, que ora defendem, fez e faz exactamente o mesmo (ou qui ça pior) a outras pessoas, com as suas críticas severas e aniquiladoras.
Garanto-lhes que o ilustre Hugo não necessita de defensores oficiosos.

Terminaria mui respeitosamente com aquela teoria: "Quem nunca pecou que atire a primeira pedra". (E nunca é demais acrescentar que todos temos telhados de vidro!)

Os meus humildes cumprimentos.

5:23 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Não gostando eu de ser advogado em causa própria, lembro apenas que a exigência que tenho para com os meus textos repercuto-a nos dos outros. Não tolero afirmações efectuadas de ânimo leve. Defeito meu, como é óbvio.

Conforme digo amiudadas vezes, quando se escreve (ou afirma) algo, há que sopesar bem o que se vai dizer. Fazer uso dum discurso racionalmente fundamentado e coerente é isso mesmo. Certamente terei muitas falhas de redacção. Mas ninguém é perfeito.

Fazendo minhas as palavras do prezado Paulo Anjo, lembrar-lhe-ia que também o ilustre Tiago Barra não carecerá de advogados oficiosos.

Cumprimentos cinéfilos!

Grato pela visita,

7:41 da tarde  
Blogger Mafalda Azevedo said...

Para além de ter gostado bastante deste texto, devo admitir que fico muito contente por verificar que o people da Pelicular anda a remar no mesmo sentido... Ora muito bem! :)
Cumprimentos para todos e obrigada pela referência ao meu texto. (Muito gentil!)

9:41 da manhã  
Blogger Hugo Alves said...

Cara e mui prezada Mafalda, antes do mais, o meu agradecimento pela visita e pelo elogio. Quanto À referência ao texo,nada a agadecer"!. Sempre fui adepto da lógica "o seu a seu dono". Não é gentileza. Apenas reverência intelectual ;)
E sim, a malta da Pelicular parece ter vestido a camisola e começa actuar como um bloco harmónico!

9:47 da manhã  
Blogger H. said...

uma verdadeira obra-prima.

9:34 da tarde  
Blogger Tiago Tejo said...

Sou daqueles que acha que temos uma obra-prima entre nós para rever com as gerações seguintes ou sozinhos se solitários formos.

Se até agora se falou de sentimentos e sensações que duma forma ou de outra continuam actuais, mas que de maneira diferente já foram trabalhos por outros grandes mestres, há um magnífico nesta película que não podia nunca ter sido usado antes com um distanciamento muito grande.

Quando Charlotte está deitada na cama a falar dos talentos que tentou desenvolver e depois chegou à conclusão que não eram suficientemente bons, refere a sua experiência com a fotografia. É neste ponto que se situa o pormenor a que me referia há pouco.

A personagem de Scarlett Johansson diz qualquer coisa como: Passei por aquela fase estúpida que todas as raparigas passam, a de fotografar os pés. (Não estou 100% certo de serem estas as exactas palavras, mas a mensagem que se queria traduzir julgo estar próxima o suficiente).

Ora isto, para quem está atento à fotografia e ao que vai surgindo por aí, é um pormenor engraçadíssimo, completamente verdadeiro e que nunca poderia ter sido referido antes por só ser possível perante esta "globalização" recente da máquina fotográfica digital.

Claro que este é mais um pormenor no caldeirão delicioso que Sofia Copolla prepara para nós ao longo de todo o filme. Mas se se conseguisse dizer de todos os outros que já foram anteriormente usados, deste tal seria impossível.


Hugo, e a banda-sonora? É genial. Das melhores bandas-sonoras que alguma vez ouvi.

2:42 da manhã  
Blogger Hugo Alves said...

Sim, a banda sonora é muito muito boa. A talho de foice, convém referir que é algo que parece ser uma constante nos filmes da Sofia Copolla. Já no "Suicide Virgins" era muito boa.

Será que teremos mais do mesmo em "Marie-Antoinette"? Das fotos que já sairam, o filme tem um certo "je ne sais quoi" de "Barry Lyndon". Promete!

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