domingo, outubro 19

Paciência



Autismos à parte, cada vez mais prezamos a forma delicada e atenta de ver o Mundo de Ozu ou de Naruse. Se o último gosta de acariciar as mulheres com a câmara, Ozu diverte-se a centrar-se no quotidiano - portuguesmente falando, a agarrar num funcionário público e na sua bica matinal - para, com humor e economia de meios, traçar um enredo complexo, dominados pelo sentimento e, sobretudo, pelo que não vemos, mas pressentimos. É, provavelmente, a mais pura forma de fazer Cinema e, simultaneamente, a melhor forma de habitar neste mundo-cão: sentado, a um canto, vendo todos os outros a prosseguir com os seus pequenos grandes dramas pessoais. Sem espalhafato. Apenas com paciência e qualidades de observação.