domingo, fevereiro 24

Em jeito de acto de contrição

C., blogger de cultura inegável e que muito aprecio (o facto de apreciar Robert Walser e Cesare Pavese ajuda muito nessa simpatia), ou não fosse daquelas com quem aprendo muito, amofinou-se (passe a expressão) com esta nótula. Deixem-me fazer um mea culpa público:
i) Sim, este era um texto que não incidia directamente sobre Straub. Acontece que o achei adequado ao caso. Só isso. Provavelmente. como é hábito da casa, a língua, perdão, a rudeza do vocabulário traiu-me.
ii) Obviamente, Daniélle Huillet não é um braço criatiavo, é um plus. É co-autora, facto visível à exaustão no Onde jaz o teu sorriso?
iii) "Dínamo verborreico", precisamente porque nas conferências Straub era desbragado, vitriólico, acutilante e fulminante, faceta que muito aprecio. Daí o tal "contraste" com a justa medida dos filmes do casal Straub-Huillet.
iv) Era o Walser, se não me engano, que a dada altura escrevia "Sou um tagarela" (no Jakob von Gunten, julgo) e depoisi continuava explorando à exaustão a ideia, o pensamento e o limite da palavra. Straub também o era (salvas as devidas distâncias relativamente ao exemplo, claro)nas aparições públicas. O que mais lhe admiro é a depuração dos filmes, a sua coerência e, acima de tudo, uma ética férrea. Daí, até, que ache algumas das suas boutades absolutamente coerentes com a obra. Diferiam, apenas, na forma: excessivas e violentas.
Por ter criado o mal entendido e, também, por ter tido direito a comentário urbano que, como sempre, me faz aprender, eis, novamente, o mea culpa. Agora, e em jeito de "pedido", fica um: C., continua a brindar-nos com as tuas Lektionen. São muito apreciadas pela gerência deste estaminé.