domingo, abril 15

Fellini, o Maestro Ilusionista

"All'inizio un film è un sospetto, un'ipotesi di racconto, ombre di idee, sentimenti sfumati. Eppure in quel primo impalpabile contatto il film sembra essere già tutto sé stesso, completo, vitale, purissimo. La tentazione di lasciarlo così, in questa dimensione immacolata è grandissima". (Federico Fellini)
Pensando em Fellini, somos invadidos, desde logo, por um adjectivo: "felliniano". Adjectivo que mais não é do que uma tentativa de aglutinar - por via de regra, de forma vaga - aspectos superficiais da sua obra: onirismo, estilo barroco, exibicionista, visonário, exagerado...
Em Fellini, tudo se centra numa qualquer aparição que procura sintetizar o espectáculo da realidade. É essa a pedra-de-toque do seu Mundo singular, sempre dotado de uma visão poética - o mais das vezes mágicas - conferindo uma aura de eternidade às suas personagens. Não envelhecem. São imaculadas. Etéreas. Sempre de molde a procurar expressar a concordância/simbiose com o meio que as envolve.
Mas é, também, um processo onde a sua obra é sempre algo in fieri. Que faz, que se vai fazendo, até ao momento em que vemos o todo. É um lento aglutinar de finas camadas, princípios abandonados e mundos paralelos. Uma sinfonia aparentemente repleta de notas falsas, mas que acaba por redundar em algo triunfal e completo. Que é per se.
Fellini, um ilusionista com a batuta de Maestro, mais do que um moralista, opta por ser um observados irónico do Mundo que capta. E esse Mundo mais não é do que a Vida. Com tudo o que tem de atroz e de belo. Em Fellini, o reduto do Cinema é a Vida. Sempre abraçada de modo sôfrego.