segunda-feira, abril 9

L'armée des ombres

"mauvais souvenirs, soyez pourtant les bienvenus...vous-êtes ma jeunesse lointaine"
Em L'armée des ombres Jean-Pierre Melville assina um filme aparentemente atípico. Saindo do registo que o celebrizou, a (des)construção do noir, Melville aventura-se num projecto altamente pessoal, cujo cerne é um conjunto de episódios na vida de alguns membros da Resistência Francesa durante a II Guerra Mundial.
Trata-se de uma atipicidade aparente: toda a abstracção estilística, aliada aos códigos típicos do noir, maxime a solidariedade, a lealdade e o respeito entre os vários contendores marcam presença, tal como a própria mão de Melville, que nos transporta para um Universo vagamente irreal, onde os resistentes se assemelham a espectros, cadáveres adiados que fazem adivinhar o fim trágico que se espera e se abaterá sobre todos. Se a Selva urbana de Le Samouraï era o cenário trágico por excelência, em L'armée des ombres a tragédia surge de um facto histórico concreto que, a final, é apenas uma falsa pista no Universo Melvilleano. Estamos perante um Mundo hermético, dominado pelos espaços fechados e onde os gestos do quotidiano imperam. Mais: o que vemos redunda na depuração desses mesmos actos/espaços.
Tal como Le Samouraï ou Le Cercle Rouge, este é um Mundo de sombras e, sobretudo, de solidão. Desta feita, com um plus: Melville conta episódios que conhece por dentro.