sábado, fevereiro 3

Epifenómeno (?)

Diz-se em La grande bouffe, de Marco Ferreri: Fora a comida, tudo é um epifenómeno. Talvez seja, talvez não o seja. O que é certo é que o tom propositadamente grotesco de La grande bouffe tem o mérito de nos deixar despertos para a surrealidade do mundo que nos rodeia*. Efectivamente, em vez de brandir o gládio do puritanismo, convém atender ao suum suique: em La grande bouffe temos, de certo modo, a antecipação do grau máximo de abjecção presente em Salò o le 120 giornate di Sodoma de Pasolini, bem como a presença constante do surreal, evocando a figura tutelar de Buñuel.
Junte-se o humor corrosivo do filme (veja-se por exemplo a genial imitação de Marlon Brando feita por Tognazzi), a genialidade das interpretações dos quatro protagonistas e um excelente argumento. O resto só vendo. De preferência com o espírito e mente abertos. As gargalhadas, essas, jorrarão torrencialmente.
*aliás, se quisésemos uma trindade de filmes-choque da década de 1970, para além de La Grande Bouffe e Saló, poderíamos referir, por exemplo, La caduta degli dei de Luchino Visconti, com a infame cena de incesto...

5 Comments:

Blogger Nuno Pires said...

Acho que nunca ri tanto numa sala de cinema :p

2:50 da manhã  
Blogger Tiago Barra said...

O Salo é bem pior...

4:02 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Hugo: É realmente um verdadeiro filme surreal. Dalí adoraria.

10:00 da manhã  
Blogger Hugo said...

UZI: Surreal, no mínimo.

Tiago: Saló é mais forte, de facto. Mas Ferreri abriu aqui, de certo modo, as portas para esse excesso.

12:33 da manhã  
Blogger Luís A. said...

Um filme inesquécivel que vi a última vez no saudoso magazine da tv2 5 noites,5 filmes. Recheado de humor negro e muita provocação. 5 estrelas para o grando Marco Ferreri, autor do também fantástico Chiao Machio

12:44 da tarde  

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