quinta-feira, fevereiro 1

De Roma, città aperta a Paisá

De Roma, città aperta a Paisá vemos evolução pura. Com efeito, em Roma, podemos ver uma típica narrativa hollywoodiana. Mais do que a típica vocação documental dos espaços do neo-realismo, avulta o pragmatismo com o que o filme é rodado. Aliás, basta reparar que a narrativa está delimitada, principalmente, pelas personagens (Pina, Manfredi e Don Pietro), encontrando-se limitada a um punhado de espaços fechados.
Apesar disso, esta é a abertura para o Cinema moderno, sobretudo pela atitude dos seus criadores para com a realidade histórica que conheciam: Rossellini propôs-se reinventar a história de acontecimentos verídicos recentes à data da realização de Roma, città aperta.
É nos seis episódios de Paisá que podemos ver à abundância os postulados do neo-realismo (plasmados por Bazin): plano-sequência e profundidade de campo. É em Paisá que Rossellini faz a síntese entre o passado e o que seria a sua obra: reformula os métodos de aproximação à realidade, aliando-os a uma forte carga moral (que, aliás, já dominava Roma, città aperta). Temos o abandono do registo melodramático de Roma para vermos a aproximação ao documentário. Algo que nunca fará na totalidade, gerando inúmeras tensões entre a ficção e o real, construindo aí o seu discurso cinematográfico próprio.
Em qualquer caso, avulta em ambas as obras o grande humanismo do realizador: Em Roma, cità aperta vingou a necessidade de união, ao ponto de - ironicamente? - vermos irmanados um padre e um comunista. Porque mais do que a ortodoxia ou o id quod plerumque accidit, apenas conta a honestidade humana e a solidariedade entre os homens. Em Paisá somos relembrados da velha máxima de que na guerra não há heróis. Apenas vítimas. Algo que Germania, anno zero curaria de acentuar de forma muito dura.