domingo, outubro 7

Provocação e Normalidade

Ich werfe keine Bombe, ich mache Filme

São muito poucos os realizadores a subirem ao Olimpo do cinéfilo. Fassbinder, provavelmente devido ao seu carácter provocatório, logrou tal feito neste recanto: não fazia filmes. Fazia verdadeiras bombas, provocando a mentalidade reinante e o cinismo da sociedade. A procura do amor impossível, aquele que é mais frio do que a morte, foi só o meio para o conseguir. Chamemos-lhe masoquismo, obsessão ruinosa, enfim...não faltarão objectivos, mas a capacidade de por a nu a alma de personagens vagueando num clima de indiferença é um mérito. E, no fim de contas, todas elas, à imagem do perturbado Franz Biberkopf, apenas procuram reatar a vida no ponto em que foi interrompida. Em Fassbinder, pese embora a singularidade de muitas das situações narradas, o desejo de normalidade comanda tudo. O desespero será, apenas, a frustração causada pelo insucesso. Tal como na vida fora da tela.