sábado, setembro 1

Paixão, razão e fraternidade

Por via de regra tendem a perguntar-me Como é que raio um desregrado como tu é de Direito? Como bom comodista que não deixo de ser, limito-me a dar uma resposta seca: "Conheces Kieslowski? (pausa) Não? Então, vê Trois Couleurs: Rouge e encontras a resposta".
Entre a esperança por vezes ingénua de Valentine e o desencanto de Joseph encontramos o equilíbrio perfeito que o Direito procura. E, como dum produto social se trata, é da cumplicidade de ambos, da sua fraternidade, valor que deve guiar a arte de fazer o justo que temos a força motriz da obra. Direito - sendo certo que, na prática, chega a ser um deserto árido - é o frágil equilíbrio entre emoção e razão. Kieslowski, sem nunca tocar na definição da Arte do Justo, acaba por retratá-lo. E é esse o Direito a que aspiro. A lei é a razão sem paixão dizia Aristóteles, mas, acaso dos acasos, Vermelho é a cor desta arte.

3 Comments:

Anonymous Uzi - um apaixonado de Kieslowski said...

Bela definição de ROUGE. Kieslowski iria gostar realmente.

10:35 da manhã  
Blogger Hugo said...

Muito obrigado, Herr Uzi

12:49 da manhã  
Blogger Zito said...

uma das componentes essencial na obra do Kieslowski é sem dúvida a música de Zbigniew Preisner, incrível como ainda hoje sempre que ouço as ost's me vêm as imagens à cabeça ....

10:36 da manhã  

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