quarta-feira, dezembro 27

Jean-Pierre Léaud, as duas faces da moeda

Tentar proceder à comparação dos desempenhos de Jean-Pierre Léaud, mormente sob a batuta de Truffaut e de Godard, é um exercício curioso. Com efeito, se em Truffaut topamos com personagens que primam pelo tom idílico e sonhador (neste particular, Antoine Doinel é exemplo paradigmático), em Godard lidamos com um jovem idealista, adepto fervoroso dos ditames do marxismo. De certo modo - e esta abordagem é propositadamente redutora - Jean-Pierre Léaud poderia funcionar como síntese dos dois grandes vultos da Nouvelle Vague. De um lado teriamos o Cinema total onde a liberdade criativa impera (Jean-Luc Godard) e de outra banda topamos com um Cinema que prima pelo seu rigor e precisão (Truffaut).
Como certeza fica o talento do grande actor que Léaud é (veja-se o recente Le pornographe). Acontece é que tal talento é obnubilado pelo sempiterno Doinel. O Lugar na História já ninguém lho tira. Resta, apenas, dar-lhe o devido valor.

11 Comments:

Blogger H. said...

Eu confesso que nem quero ver nada com ele recente, para ficar sempre com a imagem do Léaud jovem... É incontornável - por Truffaut, por Godard, por outros papéis provavelmente também (lembro-me sempre daquele realizador sonhador do Último Tango em Paris)...

E desviando um bocadinho a conversa, não sou só eu a achar que o Louis Garrel se assemelha muito ao Léaud de outrora, pois não?

11:12 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Mmmm, eu não! Leaud é inimitável...

Helena, devias ver também o Léaud de hoje. Il EST la nouvelle vague. Não é por acaso que, agora que já mais velho, interpreta papéis de realizadores inadaptados, de outra época, mas com uma visão própria (Irma Vep, Le Pornographe).

11:49 da tarde  
Anonymous Uzi said...

H. tem razão, pois os papeis recentes roçam a canastrice (ex: Le pornographe...)

2:51 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Nããã...não me parece que o Garrel lhe chegue aos calcanhares. Basta pensar, por exemplo, que o Léaud também trabalhou com o Rivette. Já para não falar do sensacional La maman et la putain. E há, ainda, por, exemplo Le départ, do Skolimowski. Ou seja, o Garrel precisa de mais Curriculum. Mas convenhamos que o ele não vai nada mal de facto :-)

Canastrice? Talvez. Mas é como diz o Nuno: "ele é a nouvelle vague". Um símbolo dela, pelo menos.

10:59 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Uma diferença que me salta aos ouvidos, é quando ouço a má dicção de Garrel. No "Dans Paris", tinha por vezes alguma dificuldade em percebar o que ele dizia...

1:10 da manhã  
Blogger John Elias and Michelle said...

Com todo o respeito, confesso que acho sempre o Léaud levemente irritante.

Mas faz parte do seu charme. É sempre emproado e cheio de tiques (excepto no Les 400 Coups, que ainda era demasiado novo), aliás é aí que está a parecença com o Garrel (mas este como ainda não tem o tal currículo, parece só pretensioso).

Basta ver o nervosinho que ele é no Antoine Doinel de Baisers Volés, ou o chato que ele é no Último Tango (era muito sonhador, mas nem a Maria Schneider tinha paciência para o aturar).

O melhor exemplo é o filme Nuit Américaine, onde o Truffaut faz de realizador, como na realidade é, e o Léaud faz de actorzinho insuportável, exactamente como nós imaginamos que ele deve ser.

Mas repito, tudo isso faz parte do seu charme, é um actor verdadeiro, verdadeiro a si próprio (talvez pelo facto de ter começado muito cedo) e é de facto óptimo em todos os filmes que vi. E a canastrice dos dias de hoje, não incomoda, porque é consistente com a sua imagem. (digo isto, mas acho que a única coisa que vi dele recentemente foi o Quelle heure est-il là-bas? do Tsai Ming Liang.)

2:25 da manhã  
Blogger John Elias and Michelle said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

2:43 da manhã  
Blogger John Elias and Michelle said...

a título de curiosidade, na Comédia de Deus do João César Monteiro, quando é apresentado ao Chef francês que vem provar o seu gelado, o João de Deus diz, pausadamente:

Enchanté, je m'attendais quelq'un d'autre.

Na realidade ele diz isto, porque quem devia ter feito de chef nessa cena, era o Jean Pierre Léaud, que nos dias antes da rodagem se cortou (não sei se se cortou, ou se teve um imprevisto, mas teve que ser substituído, para tristeza do Jão César).

2:44 da manhã  
Anonymous Uzi, um admirador de Antoine Doinel said...

Reafirmo o meu ponto: Léaud como actor actualmente não existe! Léaud é para o bem e para o mal o rosto, o corpo e a alma da NV.
Para mim Léaud é Antoine Doinel, e isso é o seu grande contributo para o Cinema.

12:40 da tarde  
Anonymous greice said...

Vi a pouco o filme os incompreendidos, na realidade iria ver beijos roubados, mas preferi obedecer a ordem...rs
Admirei o filme, em todo a sua forma, a profundeza de seu conteúdo, as imagens...a solidão intermitente do garoto que está meio perdido e só tem a sí mesmo.
Achei fantástico para a época em que foi produzido e sinto que muitos filmes atuais estão reabsorvendo isso.
E achei ele muito parecido, o rosoto, com o luis garrel, ainda mais quando menino.
(uma coisa é ele se assemelhar fisicamente, outra é assemelhar-se a interpretação de Léaud. E acredito que era isso que o "h.' queria dizer mas como muitos se 'emocionam' fácil ..hehehe..acho que não conseguiram entender sem se 'ofender'. Por que pelo que ví a comparção fisica que ele -ou ela- fez foi quase uma ofensa?! ..rs)

6:58 da tarde  
Blogger 奇堡比 said...

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6:34 da manhã  

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