segunda-feira, novembro 20

A Morte de Charlot

É em Modern Times que ouvimos pela primeira vez a voz de Charlot. É, também, nesse momento que ocorre a sua morte. Com efeito, já ao longo do filme tíveramos a oportunidade de verificar que, apesar de este trabalhador partilhar muitos dos trejeitos de Charlot, já não havia lugar para o vagabundo que vivia num Mundo próprio, tentando arrastar todos os que se aproximam dele para essa esfera íntima. Já não era, pois, Charlot, mas sim o operário que se procurava integrar no sistema produtivo, denunciando todos os seus defeitos. O momento em que, finalmente, lhe ouvimos a voz acaba apenas por funcionar como epitáfio. Um epitáfio sem sentido, já que a canção parece não ter qualquer nexo. Apesar disso, este é um momento inesquecível. Porque ao lado do humor físico de Chaplin acaba por aliar-se a sua voz.

9 Comments:

Blogger wasted blues said...

Mesmo com o som, Chaplin realizou algumas obras-primas... basta lembrar 'Limelight' ou 'Monsieur Verdoux'. Mas claro que os tempos áureos foram os do mudo.

Pela consciência que tinha disso e como resultado de alguma resistência ao som... tivémos 'City Lights'. Um génio - no mudo, na transição, no som.

9:37 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Sim, claro. Ou mesmo "the great dictator"... Mas que o som matou o bom do Charlot, lá isso matou. Acho eu...

9:41 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Dommage, je ne peux pas comprendre votre discussion, mais je n'ai envie de dire qu'une chose (banale mais sincère):

Chaplin est un GRAND génie, j'ai parfois envie de dire que c'est un Dieu :-p
Vu à quel point il était en avance sur son époque...
Et j'adore "Moderne Times".

Merci Hugo de nous avoir remontré cette scène :-)

10:46 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Modern Times: devo ter visto e revisto centenas de vezes - além da critica social, é um autentico poema
plobo

11:01 da tarde  
Blogger Francisco Valente said...

Não acredito que seja o som a matar o Charlot, mas sim Charlot a desvirtuar a chegada poderosa do som e a lutar contra a sua aclamada predominância em relação à imagem. Por isso é que a música, em termos de palavras, não tem sentido literal, mas fá-lo todo naquilo que está a tentar provar.

9:50 da manhã  
Blogger Hugo Alves said...

Pas a remercier Nathako :-)

Francisco: sim, sem dúvida. O que eu acho que é mesmo indesmentível é o facto de este ser o último filme do Charlot. Depois só haveria emulações, como o Calvero de Limelight. Mas, provavelmente, isto é a minha típica teimosia a falar...se calhar o advento do som é só uma coincidência.

9:54 da manhã  
Blogger Francisco Valente said...

A música-tema do Nino Rota de Oito e Meio assemelha-se bastante a esta do Chaplin...

1:36 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Ah, j'avais oublié, les sous-titres chinois, c'est pas mal! :pp

11:41 da tarde  
Blogger 奇堡比 said...

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