domingo, setembro 10

A propósito de Volver e de Almodóvar

Eloy de la Iglesia
"A minha dependência das drogas é coisa pequena quando comparada com a dependência provocada pelo Cinema"
Eloy de la Iglesia
Vivemos na época do elogio fácil, repetido e, por vezes, servil. Virou moda elogiar Almodóvar. Aparentemente, o cineasta espanhol largou a sua faceta de enfant terrible, de provocador, de agitador de consciências. Hoje temos "o" Almodóvar, cineasta reconhecido e profusamente elogiado (e de forma merecida, convenhamos). Parece que muitos dos seus delatores se esqueceram da polémica gerada por Átame!, Carne trémula, La ley del deseo, Mujeres al borde de un ataque de nervios ou Que he hecho yo para merecer esto?
Pois bem, parece terem esquecido, de igual modo, que Almodóvar não seria o mesmo se o Cinema espanhol não dispusesse da obra do polémico cineasta Eloy de la Iglesia (1944-2006). Eloy de la Iglesia ficou conhecido em virtude de brindar o espectador com histórias povoadas por marginais, delinquentes juvenis e onde a droga e os conflitos geracionais reinavam. Iglesia, funcionou, assim, como operador da transição entre um Cinema dominado pelo Franquismo e aqueloutro que explodiria nos anos 80, com Almodóvar como figura de proa. Como exemplo arquetípico saliente-se El diputado, obra onde o cineasta retrata as pressões sofridas por um deputado comunista, alvo de chantagem pela extrema direita, devido ao facto de ser homossexual.
Uma obra que prima pelo seu tom directo e cru e que não pode ser esquecida, sobretudo devido aos seus pontos de contacto com a de Pasolini - saliente-se que, por via de regra, o cineasta espanhol retrata ambientes similares aos de Accatone ou Mama Roma - e com Rainer Werner Fassbinder - o que é manifesto nas temáticas exploradas.
Almodóvar é importante, de facto, mas é conveniente não esquecer aqueles que o inspiraram.

7 Comments:

Blogger H. said...

Obrigada por mos teres dado a conhecer. Não conhecia Eloy de la Iglesia :|

9:59 da tarde  
Blogger Lis said...

A modernidade sempre a fugir da tradição e a tradição, sem esforço algum, sempre a seu lado. Até que alguém se lembre...como tu.

11:08 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Helena, não és a única. Boa parte da crítica espanhola tende a esquece-lo. O que é grave, devido ao seu papel fundamental na renovação do Cinema Espanhol. Se tiveres oportunidade de ver El Diputado (que data de 1979, se não me engano), vê, porque descreve a Espanha da transição para a democracia de forma magistral.

Lis, todo eu sou um produto do passado que vive no tempo errado.. :-)

2:15 da manhã  
Blogger gonn1000 said...

O nome não me era estranho, mas nada sabia acerca do realizador. Fiquei curioso.

5:05 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Sabes como é, a Almodovarização, fez com que as pessoas se fosse esquecendo de realizadores fundamentais, como este Eloy de la Iglesia, ou como o não menos provocador Bigas Luna.

Sinais dos tempos.

5:11 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Gostaria de ver referenciado o melhor filme da sua obra (e tantas vezes ignorado pela comunidade cinéfila - "Habla con ella").

cumprimentos,

5:41 da tarde  
Blogger 奇堡比 said...

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