sexta-feira, setembro 1

Abraçar o destino

Rocco e i suoi fratelli

O abraço da morte, a aceitação do destino, a purificação pela morte.
Nadia, a prostituta desencantanda com a vida, abrindo os braços ao seu assassino, aceitando o destino, corporizado no carrasco impiedoso e implacável, Simone, que não será capaz de superar a sua morte. Este abraço, sendo a aceitação trágica de uma realidade a que se não pode fugir, é, também, a redenção, a busca de perdão, o anseio pela paz interior. Nadia, a prostituta que levara Simone à perdição e despertara a comiseração e o amor de Rocco. Movimentando-se entre a vida pecaminosa das camas de amor comprado e a crença ingénua numa realidade alegre, graças à projecção no outro, aquele capaz de a completar e de a afastar da perdição, Nadia acaba por funcionar como uma síntese perfeita do paradoxo existencial, dos gestos e atitudes contraditórias. Mais importante, é a vítima exemplar no altar sacrificial do Destino. Ele pode tardar, mas não lhe podemos fugir.
Nadia optou por aceitá-lo de braços abertos, como se estivesse na cruz, expiando os seus pecados e, simultaneamente, obtendo o perdão pela vida que levara. Tal como o vazio do cenário, também Nadia já nada tinha de seu. Daí o passo em frente para o grande vazio...