sexta-feira, agosto 25

Dá que pensar...

Alberto Moravia

"(...) O argumentista, portanto, é o homem que fica sempre na sombra, que sua seu melhor sangue para o sucesso de outros; e que, embora o êxito do filme dependa dois terços dele, nunca verá o seu nome nos cartazes publicitários, onde são, pelo contrário, indicados os do realizador, dos actores e do produtor. Ele pode, é verdade, como acontece frequentemente, alcançar também nome neste seu mister subalterno, e ser pago muito bem; mas nunca pode dizer: «Este filme fi-lo eu» Isto pode dizê-lo somente o realizador, que, com efeito, é o único a assinar o filme. (...)"

in Alberto Moravia, O desprezo (tradução de Maria Tereza de Barros Brito), Editora Ulisseia, p. 49

6 Comments:

Blogger Tiago Tejo said...

É uma verdade que para quem faz parte de um filme o reconhecimento e a sua fatia no bolo são inversamente proporcionais, isto é, o maior reconhecimento imediato corresponde a uma menor, não que por isso pequena, participação na obra final. O caso do argumentista prova isso mesmo.

No entanto, não terá o argumentista a sorte de saborear do reconhecimento merecido dispensando todos os incovenientes que ele possa trazer a quem a ele esteja imediatamente exposto?

O argumentista tem a sorte de, escrevendo uma obra tornada filme, se poder sentar numa qualquer sala de cinema e, graças a essa não exposição pública, saborear todo o fascínio que possa causar na pessoa sentada ao seu lado. Isto, um actor nunca poderá ter e um realizador apenas para com os mais distraídos e desinteressados.

Isto, não há dinheiro que compre nem verdadeiro argumentista que troque pelo que quer seja.

2:11 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

Também é importante ressalvar o inverso da medalha, ou a fracção bendita da sombra: se o filme possuir um mísero argumento, o público generalista culpa o realizador.

9:19 da manhã  
Blogger Hugo Alves said...

Meus caros, têm toda a razão. Este excerto do Moravia (cujo romance está na base do genial "Le mépris" de Jean-Luc Godard), apenas serviu para chamar a atenção para o facto de, o mais das vezes, centrarmos a nossa atenção no realizador, esquecendo todos os outros que contribuiram para a feitura da obra.

Como se diz no "la nuit américaine": todos estão empenhados no filme, esquecendo-se dos problemas pessoais. O Cinema reina.

:-)

11:01 da manhã  
Blogger Harry_Madox said...

Gore Vidal, quando se refere a um filme de que tenha escrito o argumento ('Ben Hur' ou 'Suddenly, Last Summer', por exemplo), costuma dizer 'o MEU filme X'.

1:13 da manhã  
Blogger Ricardo Martins said...

Esta é uma velha questão que foi travada com balas de canhão (quase) por Pauline Kael e Andrew Sarris nos anos 60 e 70. A primeira era anti, o segundo era pró. Qualquer um dos dois deu boas justificações.

De facto, os actores e o realizador têm demasiada projecção comparativamente com o argumentista. Mas creio que essa área é mais uma espécie de ponto de passagem para, quem for mesmo bom, conseguir chegar a realizador. Se não consegue vingar e mostrar o seu nome no cinema, um argumentista pode sempre tentar a literatura, e há muitos casos de sucesso.

Claro que também há a particularidade de que, para se chegar a realizador, são necessários muitos mais “connections”…

4:51 da tarde  
Blogger 奇堡比 said...

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6:09 da manhã  

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