quinta-feira, abril 17

Inutilidades, em raccords consecutivos

297 páginas depois, páginas de parto difícil e resultado de horas consecutivas sem dormir motivadas por leituras várias em vernáculo e em dialectos estrangeiros, mormente italiano e alemão, uma etapa da tese fechou-se. Venha agora a discussão daqui a uns meses...
Como convém celebrar, o escriba de serviço deslocou-se ao mais insuspeito dos sítios. Precisamente aquele onde nunca, jamais poderia ser encontrado. Reviu I Vitelloni, vernacularmente falando Os Inúteis, não deixando de fazer comparações entre o título luso da obra felliniana e alguns dos resultados da investigação que tinha encerrado horas antes.
Não há coincidências, dir-me-á um dos 3 leitores assíduos deste recanto. Talvez, respondo eu fugidiamente. Continuação de celebração. Afinal, após tanta página de dogmática jurídica, o Espírito pedia distracção e novos ares. Coincidência das coincidências, acabara de ser lançado Der Mann ohne Eigenschaften, de Robert Musil* na lusa tradução de João Barrento (facto esse que, só por si, motiva um distinto e sincero obrigado). Nova comparação, desta feita entra a ausência de qualidades de Ulrich e o resultado final de um escrito que, se calhar, não teve o período de maturação necessário. Ou isso, ou penso em demasia em coisas comezinhas.
* O primeiro volume está oficialmente devorado e o segundo, enfim, para lá caminha. Uma preciosidade. É nestas alturas que lamento o facto de o meu alemão ainda não dar para ler monumentos destes na versão original. Walser e Bernhard já constavam do meu "altar". Musil, desde Segunda, também. Em definitivo.