domingo, novembro 4

Uma questão de culpa

A liberdade, como é consabido, acarreta o peso da responsabilidade. Meditar, agir, falar, tudo tem uma consequência. "De meditar, concluir, ir e fazer/'stá sobre o Mundo o Homem atirado" diria Manuel da Fonseca, provavelmente.
Precisamente por inverter essa lógica, Les Cousins, de Claude Chabrol surge como um objecto paradigmático: no curioso despique entre o estudante cábula e o devorador compulsivo de manuais universitários, apenas a preguiça inspirada pela doce vida de diletância terá direito a prémio. Virá o louvor dos pares, o sucesso académico - o curso é para ir fazendo... - e a continuação de um estilo de vida boémio, diletante e absolutamente inútil. Situação surreal? injusto? Abram os olhos e vejam bem o que está à volta*. Pensamento concluído, fica-se com vontade de (re)ler Poema temperamental, de Joaquim Pessoa.
*Pérola de sabedoria de alguém que pisa este purgatório terreno há mais 50 anos do que o ora escriba.